UM OLHAR SOBRE O CINEMA
06/11/2003 12:53
O RECRUTAMENTO
Faltavam dois dias para a estréia mundial de Matrix Revolutions, e o papai aqui não podia ficar de fora. Seria o THE END da saga de Neo, que mesmo aqueles que detestam Matrix (e eu sei que são muitos) têm que admitir o fato dessa trilogia já ter entrado para a história do cinema. E EU NÃO PODIA IR SOZINHO!! Quer dizer, poder eu podia, mas não teria a menor graça (quem é que ia comprar a pipoca?). Voei na direção do meu caderninho de telefones em busca de vítimas que pudessem ir comigo na estréia, enfrentando os inevitáveis fanáticos fantasiados de Neo e Trinity. Comecei a ligar para toda a minha coriola de amigos, inimigos, ex-ficas, todo mundo. liguei até para o meu dentista (sabia que ele gostava de Matrix quando eu ouvi ele conversando sobre o Reloaded com o assistente enquanto arrancava o meu siso). ninguém podia ir justo na estréia. Foi quando a Fernanda me ligou, me chamando para ver a última sessão com ela e Robson no shopping. Bom, topei,mas ia ver a estréia mais cedo sozinho mesmo.
A CHEGADA
Fui direto ao São Luiz, um dos melhores cinemas do Brasil que fica no centro de Fortaleza (tentaram até fechar ele algumas vezes,mais isso é outra estória). Quase torrei com o sol na fila, que já estava gigantesca. Vi um magrelo vestido de sobretudo preto e óculos escuros, que insistia em chamar a atenção de todo mundo fazendo umas poses ridículas de uma arte marcial imaginária e dando gritinhos de bicha-ambulãncia ( imaginei que ele devia estar derretendo ali naquela roupa). Uma velhinha pasou perto de mim e perguntou se era o filme do padre Marcelo Rossi que tava passando. finalmente entrei, e lá dentro o Túlio (o cara que me deu o dvd do rei leão) e a Terla (irmã dele) me viram, e eu fiquei muito feliz deles estarem ali também.
O FILME
O filme começou com um grande ÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ do público presente. Daí em diante, foi só curtição. Estava sem fome (tinha comido pipoca, o saco mais barato possível, pois foi eu mesmo que paguei. Aliás, foi num pipoqueiro fora do cinema, já que dentro a pipoca é um assalto!), O filme terminou, muitas cabeças coçando para entender o que tinham visto, e me despedi do Túlio e da Terla pois tinha que aguardar a minha sessão noturna com a Fernanda e o Robson.
A DESPEDIDA
À noite, encontrei o Robson e a Fernanda no shopping. Comemos algo e sugeri que fossemos logo para o cinema quando percebi o Robson olhando para a minha bunda. No meio do filme a Fernanda não se segurava na poltrona toda vez que o Keeanu Reeves entrava em cena (nota do paulo: nem o Robson). No final, a tv União estava lá para cobrir o evento, e eu até dei o meu depoimento. Tudo que saiu foi um "Pô, legal" (bom, as câmeras deixam a gente tímido mesmo, mas acho sinceramente que vão cortar isso). Nos despedimos, e o Robson ainda me dava umas olhadas estranhas -ai, ai, Robson, quando é que você vai perceber que eu não sou assim tão fácil- e tratei de voar para casa,certo de que, de algum modo, tinha visto a história do cinema ser transformada mais uma vez.
A MINHA CRÍTICA
O ciclo se fecha. O final chega para todos, inclusive para uma das mais rentáveis e originais trilogias do cinema. A despeito dos detratores de Matrix, é inegável que a série catapultou para a estratosfera o nível dos efeitos especiais, mas acima de tudo, foi berço de inspiração para dezena de imitadores e fãs apaixonados pela estética visual criada pelos irmãos Wachowski. Quando um filme tem esse poder, que é o de maravilhar a platéia com uma linguagem totalmente inovadora, inspirada em referências tão díspares quanto religião e kung-fu, ele deixa de ser apenas um filme e passa a se tornar um mito. Matrix deixou claro que o Ocidente e o Oriente podem trocar informações generosas, e a partir daí, realizar combinações bombásticas, nas quais o Pop se liga ao tradicional, a tecnologia às artes marciais, o Cristianismo à filosofia budista.
E é nesse ponto que repousa o charme do terceiro capítulo. A batalha final entre Neo e o agente Smith, bem como a destruição em massa da cidade, lembram claramente animações japonesas, desde o cultuado Akira até o violentíssimo Dragon-ball. Os diretores tornaram real o que essas produções tinham de melhores, injetaram adrenalina pura, e criaram um confronto arrasador e sem precedentes. Aliás, os irmãos Wachowski investiram em Animatrix justamente para demontrar o seu carinho pela arte nipônica. Embora Matrix tenha chegado ao seu fim, isso não impede que uma nova fornada de estórias surjam em novos desenhos, quadrinhos ou games, outras paixões assumidas pelos diretores.
REVOLUTIONS tende a ser mais poético do que os dois filmes anteriores. Por se tratar do capitulo final, é o filme no qual algumas decisões fundamentais são tomadas e todos os personagens envolvidos devem arcar com as consequências de suas próprias escolhas. É indiscutível que Revolutions é um filme bem diferente de seus antecessores. Sombrio e apocalíptico, aqui não há muito espaço para lutas fenomenais e movimentos acrobáticos, o que pode incomodar os fanáticos pela ação desenfreada. No lugar, uma guerra espetacular entre humanos e máquinas domina grande parte do filme, além de respostas para perguntas que estavam no ar desde o primeiro Matrix. Ou quase. Ao término da sessão, você percebe que mais questões foram feitas, confundindo a cabeça até daquele fã mais ardoroso, e que uma teia repleta de ramificações foi moldada na estória, dando a entender que um novo filme não seria apenas uma boa idéia, mas também necessário. Em outras palavras, somos brindados com uma conclusão polêmica, que deve gerar uma boa discussão ao longo dos meses.
Contudo, e assim confirmado pelos diretores, Revolutions é definitivamente o último. Neo decide seguir o caminho do predestinado, por mais difícil e tortuoso que ele possa parecer. Desce mais fundo na toca do coelho, só para perceber que ela não tem fim. O amor entre Neo e Trinity é o cerne da estória, o ponto chave. Uma ligação tão profunda entre dois seres, que pode ser transcendido até mesmo entre máguinas frias, que já atingiram um nivél de consciência suficiente para amar. Mas, como o próprio slogan do filme ressalta, até mesmo o amor, que começa pulsante e cheio de vida, alcança o seu fim, como uma folha seca tragada pelo vento. Palmas para os jovens irmãos-diretores, que sabem o quanto o percuso é importante, o quanto a lembrança pode vencer a morte. Pois juntos conseguiram tornar memorável uma trilogia que se sustenta admiravelmente em sua própria mitologia futurista-existencial. É triste constatar que, assim como Blade Runner, somente o tempo dará a trilogia Matrix o status que realmente mereçe; O de obra-prima acima de qualquer suspeita.
NOTA DO : 8,9
 PARA AQUELES QUE NÃO VIRAM O FILME, NÃO LEIAM ESSA PARTE!!!!
É UM AVISO. PARA AQUELES QUE VIRAM, PODEM LER MESMO.
Bem, acho que concordei com o fato da Trinity ter morrido. afinal, tudo que tem um começo também não tem um fim? Mesmo quando estamos muito apaixonados, isso sempre acaba, mais cedo ou mais tarde, como tudo na vida. Achei o final ousado, mas um pouco desesperançoso. Afinal, tudo que os humanos conseguiram foi uma trégua com as máquinas, que continuariam lá explorando a energia dos humanos. Acho que elas já tinham atingido um nível de consciência tal, que seria errado destruí-las. Mesmo porque a humanidade é tão cheia de defeitos, que entregar o mundo de novo nas mãos dos humanos é querer acabar com a terra de vez. Pelo menos, segundo a Oráculo, podemos ter o poder da escolha, o que já deve ser alguma coisa. E se Neo teve que fazer um acordo com as máquinas para salvar a nossa raça, simbolizada por Zion, foi um sacríficio bonito de se ver e no final das contas, válido. Talvez no final, os irmãos Wachowski tenham feito todo mundo de besta, e só eu não tenha notado.
enviada por Paulo Egidio
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