UM OLHAR SOBRE O CINEMA


11/03/2004 15:03
EEEIIIII!!!! Estou muito ocupado...trabalhando que nem um doido, mas mesmo assim Tô indo para o cinema...fui ver Peixe Grande, e conheci três pessoas muito legais na entrada do cinema. Quero agradecer a Clarissa, que faz parte de um grupo católico, entende a beça de cinema e me transpareceu muita inteligencia, garra e liderança. Ao Rubens, um rapaz divertido, muito atraente e charmoso, o cara deve ter uma penca de namoradas por aí. E a terceira pessoa é uma garota loirinha que vai me perdoar por eu ter esquecido o seu nome, mas ela é muito espirituosa e elétrica (soltava cada tirada legal durante o filme...). Rachamos pipoca e refrigerante, tomara que aconteça de novo. Os três fazem Engenharia de pesca na UFC e são, com certeza, pessoas únicas.

FILME QUE ESTOU MAIS ESPERANDO NO MOMENTO:
"A PAIXÃO DE CRISTO"




PEIXE GRANDE

Tim Burton é um diretor fenômenal. Ele consegue como ninguem unir a sua narrativa fabulista a personagens que parecem ter saido direto das profundidades mais obscuras da sua mente. Tudo jogado em cenários que poderiam muito bem ser pinturas adornando uma parede qualquer, e que parecem ganhar vida sob a tutela do seu criador. Com Peixe grande, Tim Burton reflete lançes auto-biográficos ainda mais fortes (o diretor há anos não falava com os pais, que morreram recentemente sem terem a chance de reconciliação com o filho) ao contar a estória do relacionamento dificil entre pai e filho, ambos com visões bem diferentes de como a realidade pode ser encarada, ou melhor, vivida.

É justamente ai que reside o problema. Edward Bloom é um homem a beira da morte que sempre contou estórias fabulosas para os outros e para o filho. No entanto, o menino cresce sofrendo por achar que nunca teve conhecimento real sobre a vida do pai, ficando apenas com esse amontoado de estórias incríveis, nas quais ele não acredita nem um pouco. A partir desse ponto, o diretor realiza o que sabe fazer melhor; expor a sua criatividade. Somos apresentados a sereias, gigantes, lobisomens, bruxas e gêmeas siamêsas, ou seja, criaturas que, por um motivo ou outro, se encontram como párias de um mundo aparentemente normal. Uma constante do diretor, refletida no atormentado Batman, o esquisito Edward mãos de tesoura e o fracassado cineasta Ed wood, como alguns bons exemplos criados por ele. Mas, com todos esses artifícios a seu favor, Tim Burton erra um pouco a mão quando cede a um certo pieguismo exagerado em certos momentos (algo incomum em seus trabalhos), deixando a incômoda sensação que determinada cena foi calcada especialmente para o espectador se derramar em lágrimas.

Apesar desse pequeno detalhe, Peixe grande funciona por ser, acima de tudo, uma boa estória contada de forma singela. Mostra dois lados de uma mesma moeda, e como esses opostos podem aprender um com o outro. No fundo, Tim Burton pode até ter se rendido ao esquemão Hollywoodiano, mas ainda consegue moldar sonhos (ou pesadelos, entenda como quizer) e torna-los acessíveis aqueles que não se esforçam nem um pouquinho em vijar na fantasia.

NOTA DO : 8,5




AS REGRAS DA ATRAÇÃO

Jovens problemáticos, confusos, sozinhos e apaixonados são uma constante. Há ainda aqueles que buscam incansavelmente o prazer, aqueles que se entregam, aqueles que se fecham, e aqueles que vivem sob suas próprias regras, a ponto da linha que separa a fantasia da realidade se tornar extremamente tênue, levando a um desastre emocional capaz de destruir uma montanha. Regras da atração, que assisti em dvd nos últimos dias, foca três jovens que estudam na mesma universidade. Sean Bateman se considera um vampiro de emoções. Frio, aproveita-se da sua bela aparência física para adquirir mais e mais conquistas, para depois descartá-las. Paul Denton é um homossexual charmosso, mas carente de afeto real. Ao se aproximar de Bateman, acaba se apaixonando e sofrendo na teia armada pelo sujeito. Lauren Hynde é virgem e linda. Espera pacientemente pela volta do ex-namorado da Europa, por quem é loucamente apaixonada. Ao se negar as investidas de Bateman, torna-se a única mulher que o rapaz já amou na vida. Esses personagens são jogados em um mundo que não está nem aí para eles, e por mais que eles tentem, não podem fugir disso. A certa altura um personagem clama: "Você não me conhece, pois é impossivel conhecer de verdade qualquer pessoa". Todas aquelas regras que foram articuladas para dar algum sentido a vida desmoronam, e o que sobram são apenas restos. Com inúmeras sacadas legais (a trilha sonora fabulosa, a montagem divertida, etc) e situações esquisitas, melancólicas e cômicas misturadas na medida certa, Regras da atração é um ótimo programa para o fim de semana.



enviada por Paulo Egidio






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